Troia - Sagres [ 2008 ]

GPS

O MAIS DURO DE SEMPRE?

Na última semana todos os participantes deste evento não tiraram os olhos dos sites de meteorologia para tentar adivinhar o tempo que iria estar no dia 13.

O optimismo do início da semana (aguaceiros, vento fraco de norte) rapidamente deu lugar ao pessimismo natural de uma previsão de mau tempo (chuva e vento forte de NW).

Mesmo assim, arrisco a afirmar que a maioria não imaginava as condições que veio a encontrar; um enorme aguaceiro com 210 km de comprimento, temperado com vento forte, ou seja, basicamente este Tróia – Sagres foi feito debaixo de um enorme temporal que para além do desgaste físico, provocou um enorme desgaste psicológico a todos os que nele participaram.

 Habitualmente, a prova de esforço para a maioria começa verdadeiramente em Aljezur (+- 165kms) mas desta vez vimos DEZENAS de ciclistas a colocar as bicicletas em cima dos carros ao fim de 90km.

Naturalmente que ninguém “rebenta” em tão pouco tempo, imagino que seja antes um não querer sofrer daquela maneira por mais 130km.

Este ano o Clube BTT Azeitão teve uma participação mais modesta do que o habitual, contando com a presença de dois membros empenhados em chegar ao fim apesar das condições agrestes.

O nosso dia começou ás sete e meia e durante alguns minutos ainda pensámos que o tempo afinal não seria tão mau quanto isso.

Poucos kms depois, percebemos que estávamos enganados e que iria ser muito difícil chegar ao fim o que nos levou a rapidamente adaptar o nosso andamento ás condições climatéricas.

Foi a melhor coisa que fizemos, pois a chuva e o vento forte nunca mais nos largaram ao longo desta difícil Jornada.

Durante boa parte do tempo, quem ia a fazer a protecção ao outro companheiro do pedal tinha que pedalar inclinado e com o olho direito fechado para que a chuva não o ferisse.

Para dar uma ideia da dureza do tempo, no desvio para Porto Covo chegámos a rolar a 12km por hora quando, em condições normais facilmente estamos acima dos 30km.

Durante todo o percurso e nas curtas paragens que nos permitíamos fazer, dava para perceber a preocupação das famílias que acompanhavam os outros “doidos” que connosco partilhavam aqueles momentos difíceis.

Quando chegamos a São Teotónio, íamos sabendo que vinham dezenas de Grupos atrás de nós o que nos deu alento para não desistir.

Nos 60 kms finais, de cada vez que nos cruzávamos com alguém, trocávamos mensagens de ânimo e deixávamos umas piadas no ar como forma de nos incentivarmos mutuamente.

A partir de Aljezur, já todos sabíamos que a parte final iria ser muito dura psicologicamente pois iríamos chegar a Sagres durante a noite.

No nosso caso, ela chegou depois de termos atravessado a Serra da Carrapateira (perto dos moinhos de vento); os últimos kms foram feitos com a ajuda preciosa das caravanas familiares que acompanhavam alguns de nós.

Depois, foi o momento mágico de ver aquela placa maravilhosa a dizer Sagres 8km.

O resto do percurso foi feito a alta velocidade até chegarmos ao Posto de Turismo.

Posso dizer que este foi o Tróia – Sagres mais exigente em que participei e segundo alguns veteranos com quem fui falando, nunca encontraram nada igual.

Mas isto é o que me atrai neste evento: apesar de a equipa por vezes fazer a diferença entre o chegar e desistir, é sobretudo uma prova individual em que cada um luta com o seu corpo e decide até que ponto está disposto a sofrer para sentir a gloria de chegar a bom porto.

Para os participantes do Clube BTT Azeitão foi uma vitória sentida e sofrida mas que nos satisfaz, ainda por cima chegámos em Bikes de BTT (são cada vez menos....) e sem a ajuda de produtos químicos que infelizmente existem em abundância neste desporto (quem nunca viu umas cápsulas vazias, esquecidas nas bermas da estrada?)

Gostava de deixar uma nota final ao António Malvar, o “mentor” deste evento:

Não mudem nada no Tróia – Sagres; este evento é único por ser assim: sem organização, sem partidas nem chegadas, sem sabermos bem quantos somos, qual o melhor tempo e com um percurso que não é rígido.

No dia em que passe a ser organizada, a mística morrerá.

Para todos os que já participaram ou já pensaram em participar só vos posso dizer uma coisa: PARA O ANO LÁ ESTAREI!!

Saudações BTTistas para todos!
Luis Gomes e Pedro