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Porto - Santiago de Compostela [ 2007 ]

Rescaldo por Luis Gomes

Tal como em qualquer viagem que se preze, esta não começa no primeiro dia mas quando uns meses antes alguém pergunta: “e porque não ir fazer os Caminhos de Santiago desde o Porto? São 4 dias a pedalar”. Na altura todos pensámos ser uma ilusão pois para além de serem 4 dias a pedalar, a logística parecia muito complicada de realizar e o tempo disponível de cada um para dar à organização de tal evento nunca é suficiente. Mas, com muita dedicação e afinco de 2 elementos do grupo, o sonho começou a tomar-se uma realidade para quinze pessoas:

  • Fixámos uma data para a viagem de 4 a 7 de Outubro
  • Angariámos um núcleo duro que se foi alargando quase até ao momento da partida
  • Tratámos das reservas de hotéis
  • Pensámos na logística ao longo da prova (carro, condutor, reabastecimentos, locais de encontro, etc)
  • Mentalizámos as nossas famílias para nos acompanharem;
  • Juntámos o dinheiro necessário
  • Foram-se dando umas pedaladas nas semanas anteriores para sofrer um pouco menos durante a provação
  • Metemos um dia de férias no trabalho
  • Fizemos uma ultima revisão ás bicicletas e...
  • ...quase sem darmos por isso, o nosso dia zero começou com uma partida de Azeitão ás 4 da manhã de quinta-feira dia 4/10 com destino á Sé do Porto.
Dia 1
Porto - Barcelos

Pelas 10 horas da manhã, a aventura teve inicio; foram tiradas as fotografias da praxe e toca a pedalar! Os primeiros kms foram de dúvida para os novatos nestas andanças (como é que eles sabem onde estão as setas?) mas com o passar do tempo todos conseguiam descobrir o caminho. Devo dizer que as marcações são fantásticas e eu acabei por descobrir um Portugal paralelo durante o percurso: o Portugal das setinhas amarelas que caso descubram uma entre Faro a Valença, podem ter a certeza que estão a entrar num trilho para Santiago (já agora, quando encontrarem as setas azuis, estarão a caminho de Fátima). Foram 60 km a rolar, com muito alcatrão, poucos trilhos e com um grau de dificuldade técnica e física baixa. Mesmo assim o Cláudio ainda teve tempo para conhecer o sabor do alcatrão e da brita nas pernas.........
A chegada aconteceu pelas 14h e com ela veio o tradicional banho no rio em Barcelos.
Não digo quem foram os heróis que enfrentaram o frio e os “submarinos” para não envergonhar os restantes......

Neste primeiro dia, podemos realçar duas situações:

1. A passagem a correr no meio de uma via rápida na saída do Porto (muito, muito perigoso)
2. O almoço de vitela e cabrito (ou seria borrego??? Não me lembro pois estive a dormir quase todo o tempo.........) e aquele bagaço do outro mundo (obrigado pela pinga amigo Jacinto; não sei se ajudou a melhorar a gripe, mas depois de 3 penalties de bagaços também não fiquei nada preocupado com isso!).

Dia 2
Barcelos – Valença do Minho

O arranque de Barcelos (de onde apareciam tantas miúdas giras?) aconteceu pelas 9h30m, com destino a Valença do Minho.
Já sabíamos que esta era a etapa mais dura e também a mais longa (80 km).
Até ponte de Lima, não existe nada a assinalar a não ser as vinhas e riachos fantásticos por onde passámos e o reforço de pequeno-almoço que tomámos. A geografia foi ajudando, pois apesar de estarmos rodeados de montanha, basicamente os trilhos levavam-nos sempre pelo meio dos vales. Depois de Ponte de Lima, começamos a sentir a dureza da etapa: A geografia deixou de ajudar e a sorte que tínhamos tido até aqui de ir passando pelo meio das montanhas terminou. As subidas íngremes começaram e com elas os primeiros sinais de cansaço apareceram.....já tínhamos ouvido falar de uma subida muito difícil e de cada vez que aparecia uma subida difícil ficávamo-nos a perguntar se não seria aquela. Mas não, quando ela apareceu todos a reconhecemos: o trilho dos mortos! (sugestivo nome......) estamos a falar de 45m a 1h com a menina ás costas no meio de pedras, raízes e buracos. Quando chegámos ao topo, pensávamos que o sofrimento tinha acabado até começarmos a fazer um donwhill delicioso para poucos e preocupante para a maioria... A chegada a Valença aconteceu após 7h de pedal e com ela veio o tradicional banho na fonte (desta vez sem os “geninhos” a chatear a malta como em anos anteriores). Neste dia o podium dos espalhanços ficou preenchido: João com medalha de ouro (ganda terno companheiro), Arnaldo com a medalha de prata (para a próxima deixa lá os óculos) e Luís com a medalha de bronze (olha lá, não viste um calhão daquele tamanho???) O dia terminou e quando a noite mal se tinha ido embora começou o terceiro dia.

Dia 3
Valença do Minho – Pontevedra

O arranque deu-se pelas 9h30m e esta etapa foi simples; não existiram grandes desníveis, não tivemos trilhos difíceis nem desgastantes; foi antes rolar a maior parte do tempo e levar com umas subiditas no lombo só para relembrar a dureza do dia anterior.
Ao início da tarde estávamos a almoçar em PonteVedra e a cumprimentar alguns companheiros que também estavam a fazer a sua peregrinação e com quem fomos privando em breves momentos nos dias anteriores. Neste dia só o Luís deu um mini tralho e desta vez até foi a subir! (técnica fantástica tem este rapaz também conhecido como o Cozovar!!!) Com a noite veio o repasto com a família (apesar de não ser fácil sentar no mesmo restaurante 28 pessoas.....) e com ele mais uma noite de sono mais ou menos mal dormido.





Dia 4
Pontevedra – Santiago de Compostela

A etapa final! Começou bem cedo: 6 da manhã tomámos o pequeno-almoço e o arranque aconteceu pelas 7h quando ainda era noite. O plano era tentar chegar o mais cedo possível a Santiago (60 km) para almoçar, descansar e regressar a casa pois 2ªf era um dia de trabalho para a maior parte das pessoas. Tirando uma SVC (subida vontade de c....) do Cláudio (é pá, não era para dizer o nome.......) e um mergulho monumental para uma poça de lama do Álvaro, a etapa não foi complicada, excepto na parte final onde apareceram umas “subiditas” fora do programa.
A chegada a Santiago foi feita mais ou menos em pelotão mas sem a presença do amigo Fernando (também conhecido como o Murraças) que se tinha pirado para uma chegada sozinho no início do dia (pena que não teve um furito para a malta gozar um pouco......) Após uma troca de roupa no meio de um parque e um merecido almoço de tortilha + mexilhões + outros mimos para o corpo, lá fomos para a estrada enfrentar mais de 600 km de carro. A chegada a casa aconteceu entre a 1 e as 2 da manhã e apesar do sono muitos foram trabalhar no dia seguinte. Estou a escrever esta mini crónica uma semana após o início da aventura. Sabem uma coisa? Ainda sonho acordado com os trilhos, as bicicletas, as pessoas com que nos fomos cruzando, com os companheiros de aventura, com as refeições barulhentas em grupo.......enfim, mais do que o corpo o que verdadeiramente está a ressacar é o espírito. Neste momento olho para o Aeroporto de Lisboa mas sonho com domingo pois é o dia em que a maior parte de nós se volta a encontrar para pedalar na nossa maravilhosa Arrábida. Planos? Acho que todos nós queremos ir conhecer mais caminhos de Santiago, não só em Portugal como Espanha e mesmo França. Setinhas? Esperem por nós que um dia destes ainda nos voltamos a encontra.

Queria deixar aqui alguns agradecimentos:

  • Aos diversos grupos de companheiros e amigos do pedal com que nos fomos encontrando ao longo dos 250km percorridos
  • Ao José Ribeiral e Cristiano (vice presidente e presidente do nosso clube) por terem montado e concebido toda esta operação sem vocês o sonho nunca seria realidade!
  • Ao Jacinto por ter sido sempre o nosso apoio motorizado e alimentício no meio do nada em cada etapa.
  • Ao nosso Patrocinador Mundimat por nos ter disponibilizado uma carrinha de apoio ao passeio.
  • A todos os quinze que participaram nesta volta magnifica.
Até à próxima.
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