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Quedas com Ciclistas

O grande terror de qualquer ciclista é a senhora Dona Queda. Se pedalas, já caís-te alguma vez ou vais cair, podes ter a certeza disso. A queda faz parte de quem pedala. Ela é inevitável, por mais experiente e hábil que seja o ciclista, não tem hipótese, um dia cai. Geralmente tentamos arranjar desculpas para justificar o respectivo tombo, e a tendência é culpar os obstáculos ou defeitos da própria bike. Sem dúvida, às vezes acidentes acontecem devido a erros de terceiros ou por uma falha de equipamento como travões ou pneus por exemplo, mas na maioria das vezes o principal responsável pela queda está dentro de nós.

Como podemos ao menos evitar cair?
Para quem está a começar a pedalar, a queda pode servir de aprendizagem. Assim como um animal que ao nascer cai várias vezes até ficar de pé, o ciclista principiante cai para aprender a manter-se equilibrado sobre a bike, e esta queda natural é que serve de lição para o resto da vida. Porém, para alguns ciclistas experientes ou até mesmo atletas, cair é sinal que algo não está correcto e que o está a deixar sem a sua principal ferramenta, a concentração.

Se estiveres a descer por exemplo, e de repente te vês no chão com o joelho todo esfolado e não entendes como isto aconteceu ou se estiveres a pedalar com colegas e tocas com o teu pneu na bike da frente causando um desequilíbrio que te leva ao solo, amigo é hora de parar para reflectir, ou seja, alguma coisa não está bem e esta quedazinha pode ser um aviso. Podes estar com problemas emocionais, se for este o caso, a primeira a coisa a fazer é assumir que não estás bem e tens que ir buscar a ajuda de algum especialista como um terapeuta, por exemplo. Não insistas em pedalar desconcentrado, só com a cabeça limpa é que tu vais parar de cair sem sentido.

Muitas vezes, o pior da queda não é o ferimento causado, mas sim o trauma psicológico causado por ela. Sentimo-nos verdadeiros incompetentes e ficamos chateados connosco mesmo. Por mais que tenha sido um simples acidente o trauma da queda deixa cicatrizes que normalmente desaparecem passados apenas alguns dias. A melhor forma de encarar o nosso "desequilíbrio" é com bastante humor. Devemos tentar levar a coisa da maneira mais leve possível, evitando relembrar o momento da queda, Devemos sim pensar que dentro de pouco tempo, já nos encontramos novamente prontos para encarar os trilhos ou o alcatrão sem medo. Como não existe fórmula mágica para não cair, pelo menos existem maneiras de nos protegermos de alguma queda mais danosa. A utilização de capacete e luvas são essenciais. Quando caímos, a primeira coisa que vai ao chão são as mãos, por isto uma boa luva é fundamental e, claro, o uso do capacete, que inclusive salva a tua vida.

A utilização de joelheiras e protectores nos braços é recomendado para quem pratica Down Hill ou Free Ride. Para quem pedala em trilhos ou no alcatrão o capacete e a luvas são o suficiente. Porém, se te sentes mais seguro usando também estes protectores até mesmo em passeios, não há problema algum em continuar, mas acho que vale a pena experimentar pedalar sem estas armaduras aprimorando as suas habilidades e perdendo o medo da queda. Cai levanta-se, aleijou? Limpou, curou e passando alguns dias, está bom de novo. A queda mais perigosa é aquela quando passamos os nossos limites. Esta sim, pois ela pode ser grave e até fatal. Por isto muito cuidado ao arriscar demais. Como já disse antes, pedalar é um processo evolutivo e vamos ganhando essa habilidade aos poucos. Para evoluir é preciso arriscar-se, mas não em demasia.

Na prática do Mountain Bike a queda acontece com mais frequência, mas normalmente sem grandes danos, pois a queda na terra ou no barro é mais suave.
Já no alcatrão uma simples queda pode causar-te sérias contusões e até mesmo fracturas. Por isso, cuidado redobrado ao pedalar nas avenidas da tua cidade e nas estradas esburacadas do nossos país.

Tenta ver a queda como um ensinamento, um sinal de que somos pobres mortais, que não somos Super Heróis e não sabemos tudo, mas não deixes que o medo domine o teu prazer por pedalar.

Texto de: José António Ribeiral

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